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São Paulo ganha primeiro laboratório de grafeno da América Latina

Dobrável, forte e derivado do carbono, material pode revolucionar indústria; investimento de Mackenzie, Fapesp e CNPq foi de R$ 100 mi

Por O Estado de S.Paulo

Publicado em 3 de março de 2016
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A Universidade Presbiteriana Mackenzie inaugurou ontem o primeiro laboratório da América Latina especializado em grafeno. Fino, resistente e derivado do carbono, o material deu o Nobel de Física de 2010 a seus criadores e pode, nos próximos anos, revolucionar a indústria, a engenharia e o setor de tecnologia. 

Construído com uma parceria entre o Mackenzie, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Centro de Pesquisa Avançadas em Grafeno da América Latina (também chamado de MackGraphe) custou cerca de R$ 100 milhões. O laboratório ocupa um edifício com área superior a 4 mil metros quadrados, distribuídos em nove andares, no campus da instituição em Higienópolis, região central de São Paulo.

Ainda pouco conhecido, o grafeno é um material que deve estar presente em boa parte dos eletrônicos no futuro. Gerado a partir do grafite, uma boa forma de entender o grafeno é imaginá-lo como uma folha de átomos de carbono, densamente compactados em um formato bidimensional. 

Além de fino e resistente, o material ainda reúne uma série de importantes propriedades para a indústria de inovação: é transparente, leve, conduz eletricidade e calor e ainda é flexível. Não é para menos que tantas aplicações com o material estejam em fase de desenvolvimento para diversas áreas como defesa, eletroeletrônicos, semicondutores e produtos como plástico ou látex.
Suas aplicações vão de raquetes de tênis, já disponíveis no mercado, a preservativos – financiados pela Fundação Bill e Melinda Gates, do cofundador da Microsoft e sua esposa. Além disso, há estudos recentes demonstrando sua aplicação na filtragem e retirada de materiais radioativos de águas contaminadas. 

Origem. Segundo o reitor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Benedito Guimarães Neto, o projeto teve início em 2012 quando uma equipe da instituição visitou a Universidade Nacional de Cingapura para desenvolver pesquisas na área de fotônica, que estuda geração, transmissão e detecção da luz. 

“Após a visita, a gente viu que poderia aproveitar as potencialidades da tecnologia para pensar algo bem maior. Foi aí que surgiu a ideia do centro de pesquisas em grafeno”, diz. Desde 2010, a Universidade Cingapura tem um centro específico para estudo das aplicações e propriedades do grafeno.
A meta da universidade é dominar o conhecimento científico sobre o grafeno nos próximos cinco anos. 

Depois disso, começará a desenvolver inovações com o material. Para isso, a instituição pretende buscar parcerias com o setor industrial para propor soluções com o grafeno para a melhoria de processos e produtos. 

“A universidade tem o conhecimento, mas são as empresas quem devem produzir novidades”, diz o coordenador do MackGraphe, Thoroh de Souza. O foco da universidade é buscar empresas nacionais que já tenham condições de infraestrutura e investimento, em setores como o agronegócio. 

O Brasil tem uma das maiores reservas de grafite do mundo, mas ainda não desenvolveu a cadeia completa de produção do grafeno. “Produção industrial em grande volume e com qualidade não existe no mundo”, diz o brasileiro Antonio Hélio de Castro, diretor do centro de materiais bidimensionais da Universidade de Cingapura. Para ele, um dos desafios para o desenvolvimento neste área é dominar processos de produção de grafeno de alta qualidade. 

“Hoje existe uma corrida para controlar e ter a propriedade intelectual em pesquisas com grafeno”, diz Castro. Por sua versatilidade, a perspectiva é de que o material terá peso equivalente ao do silício hoje. “O Brasil não pode deixar de participar desta corrida, porque perde a oportunidade de dividir a riqueza que esse material vai gerar.”

 

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